Publicado: 09/10/2025 - 5 minutos leitura
Casos de sucesso
Crédit Agricole reforça competências em cibersegurança com um ex-negociador do GIGN
Três dias de formação intensiva, um ex-negociador do GIGN nas salas do Crédit Agricole: este foi o programa inovador em que participaram quinze executivos do grupo bancário francês. Uma abordagem inédita para reforçar a segurança do banco e preparar-se para os novos requisitos do regulamento europeu DORA (Digital Operational Resilience Act), que entrou em vigor em 2025.
Aproveitar a experiência de negociação para reforçar a preparação contra cibercrises
Porquê recorrer a um ex-membro do GIGN para formar banqueiros?
“Recentemente, éramos responsáveis apenas pela gestão de crises cibernéticas ao nível do Grupo, e realizávamos regularmente exercícios com o regulador e com várias entidades do Grupo, baseados em cenários técnicos. O nosso âmbito foi alargado para incluir a gestão global de crises de TI (não apenas de cibersegurança) e o reporte regulamentar DORA, o que significa um maior volume de trabalho e a necessidade de competências específicas”, explicou Philippe Coué, Chief Operating Officer para Cibersegurança e Riscos de TI no Crédit Agricole.
Este desenvolvimento é acompanhado por uma monitorização 24/7 de incidentes de TI ao nível do Grupo, exigindo reforço de determinadas competências nas equipas.
Perante estes desafios, o Crédit Agricole recorreu à Inetum, especialista em serviços digitais e cibersegurança. A escolha não foi aleatória: a oferta formativa da Inetum é muito completa e inclui a participação de um ex-negociador do GIGN, um fator diferenciador face à concorrência.
O setor bancário enfrenta um risco crescente de ciberataques. “Todos os bancos estão em risco, devido aos portefólios de clientes que gerem e aos dados confidenciais que tratam, e o Crédit Agricole. em particular, pelo seu papel como banco de referência. Se um banco da dimensão do Crédit Agricole falhasse, teria impacto direto na economia de um país e até na economia global”, salientou Philippe Coué.
“O que procurava era um formador com experiência militar, policial ou de forças especiais, que pudesse trazer a sua perspetiva e experiência na gestão de crises fora do setor bancário”, acrescentou. Esta expertise específica insere-se numa lógica clara: melhorar competências humanas, mais do que técnicas.
Um programa intensivo de três dias
A formação em cibersegurança combinou várias abordagens:
- Dia 1: Apresentação por um especialista da Inetum sobre processos de resposta a ciberataques.
- Dia 2: Formação ministrada por um ex-negociador do GIGN sobre comunicação em situações de stress extremo.
- Dia 3: Trabalho em equipa com abordagem psicológica baseada no método DISC, permitindo identificar os perfis comportamentais de cada participante.
“A experiência de um negociador fornece respostas valiosas em termos de gestão de crises. Estes profissionais enfrentaram crises muito significativas, muito mais do que imaginamos”, destacou o responsável pela cibersegurança do Crédit Agricole.
Objetivo: desenvolver reflexos para gerir a crescente pressão, partes interessadas em tensão e uma gestão de topo impaciente.
A importância das Soft Skills perante Ciberataques
Esta abordagem revela um facto pouco conhecido sobre a cibersegurança bancária. “O objetivo da formação não era falar de tecnologia, mas sim melhorar a nossa expertise humana”, insistiu Philippe Coué.
Para Romain Massari, Diretor da divisão de Cibersegurança da Inetum, esta dimensão humana é crucial: “No início da formação, o cliente pensa que vai aprender muito pouco e que a Inetum vai apenas rever os conceitos básicos. Mas, à medida que a formação avança, percebemos que surgem debates cruciais e que os participantes nem sempre estão de acordo. É, por isso, essencial sentar-se à mesa para discutir estas questões.”
A formação revelou diferenças de abordagem entre os participantes, criando “muito debate”, segundo Romain Massari. “Um dos benefícios foi termos discussões francas que levaram a uma maior coesão no final da sessão, comparativamente ao início da formação”, confirmou Philippe Coué.
O feedback positivo incentivou o Grupo a repetir a experiência. “Acredito que este tipo de formação será continuado. O objetivo é alargar o seu âmbito, talvez com um formato um pouco mais leve, mas com um maior número de participantes.”
Esta iniciativa ilustra como o setor financeiro se está a adaptar aos novos desafios regulamentares, nos quais o elemento humano se torna tão crítico quanto a expertise técnica perante as ameaças cibernéticas.
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