Publicado: 18/04/2025 - 5 minutos leitura
Casos de Sucesso
Correções em Minutos, Exames Seguros: Os Bastidores da Digitalização do Exame Nacional de acesso a Medicina
Desde 2016, as Épreuves Classantes Nationales (ECN) informatizadas transformaram o exame de acesso à medicina. Acabaram-se as cópias em papel e as correções manuais: uma plataforma digital desenvolvida pela Inetum garante agora exames fluidos, seguros e justos para mais de 12.000 estudantes todos os anos.
Cenários de formação concebidos para melhorar as interações reais com clientes
Digitalizar um Exame Nacional de Alto Impacto
Até 2015, realizar as ECN era um verdadeiro desafio: os 9.000 candidatos das 37 faculdades de medicina francesas tinham de se deslocar a sete centros inter-regionais para dois dias de provas de escolha múltipla. Depois, os exames eram transportados sob escolta para correção manual, um processo que demorava semanas.
Em 2015, o Centre National de Gestion (CNG) confiou à Inetum a missão de transformar este exame num teste 100% informatizado, uma estreia em França. “Foi-nos pedido para passar de um exame em papel para uma plataforma digital fiável, capaz de gerir milhares de estudantes em simultâneo e em tempo real. Um desafio técnico e organizacional sem precedentes”, explicou Frédéric Walczak, Engagement Manager na Inetum e responsável pelo projeto.
O desafio foi considerável: a primeira sessão informatizada das ECNI estava agendada para junho de 2016, e o primeiro teste nacional em larga escala ocorreu em dezembro de 2015. Em apenas alguns meses, a equipa da Inetum - inicialmente composta por quatro pessoas, e depois por dez - desenvolveu uma plataforma robusta, segura e intuitiva.
“Sabíamos que não havia margem para erro. Durante três dias, acontecesse o que acontecesse, a aplicação tinha de funcionar sem falhas.” Frédéric Walczak.
O Exame Digital de Acesso à Medicina: Um Processo Rigoroso
O sistema assenta numa aplicação web segura. No dia do exame, os estudantes ligam-se através de iPads fornecidos pelas faculdades. Um sistema centralizado que permite ao júri lançar as provas simultaneamente em todos os locais e encerrá-las após três horas - tudo sincronizado.
Tudo começa na segunda-feira de manhã, com um teste técnico obrigatório para verificar as ligações e evitar quaisquer problemas antes das provas. À tarde, os enunciados são pré-carregados nos tablets, mas permanecem inacessíveis até ao lançamento oficial, garantindo máxima segurança.
Assim que a prova termina, as respostas são analisadas e corrigidas instantaneamente, acabando com as longas semanas de espera que existiam anteriormente.
Para garantir o bom funcionamento, a Inetum criou uma interface nacional de supervisão que permite ao júri verificar o estado da ligação de cada estudante e intervir em caso de problema técnico. “Conseguimos ver, em tempo real, se um estudante perdeu a ligação e dar-lhe tempo adicional, ou detetar uma anomalia num tablet e sugerir uma solução de imediato”, explicou Frédéric Walczak.
A digitalização trouxe também novos testes interativos: casos clínicos progressivos, leituras críticas de artigos científicos e perguntas com imagens médicas que os estudantes podem ampliar no ecrã – algo impossível em papel.
Uma Equipa Técnica Mobilizada Durante Todo o Período de Exames
Nos primeiros meses, a interface foi otimizada: foram implementados protocolos de backup para antecipar falhas de rede e criada uma equipa técnica para intervir em tempo real durante os exames.
“Durante os exames, a nossa equipa esteve mobilizada das 7h às 19h, pronta para reagir ao mais pequeno incidente”, explicou o gestor do projeto.
A evolução do projeto não parou por aí. Em 2021, a Inetum e o CNG lançaram uma nova reforma com a introdução das Épreuves Dématérialisées Nationales (EDN) e dos Examens Cliniques Objectifs Structurés (ECOS), que agora avaliam as competências práticas dos futuros médicos, para além do conhecimento teórico.
“Concebemos uma plataforma onde os estudantes são confrontados com situações reais, avaliadas por médicos examinadores. É uma revolução na formação médica”, destacou Frédéric Walczak.
Segurança e Prevenção de Fraude
Esta ferramenta digital levanta igualmente questões de segurança e fraude. A Inetum implementou um sistema sofisticado de rastreabilidade que regista todas as ações dos candidatos.
“Se um candidato afirmar que respondeu corretamente a uma pergunta, mas tiver alterado a resposta posteriormente, conseguimos verificar isso de imediato”, explicou Frédéric Walczak.
As tentativas de fraude são também detetadas através da análise dos registos do servidor.
“Já identificámos estudantes a tentar aceder às respostas digitando URLs como ‘correction.php’ – foram rapidamente chamados pelo júri!”, contou.
Por fim, a plataforma funciona em modo kiosk, impedindo qualquer saída da aplicação ou ligação à Internet.
“Os tablets estão bloqueados e a rede utilizada é ultra-segura. Qualquer tentativa de intrusão é imediatamente bloqueada”, garantiu o especialista.
Um Modelo para o Futuro
Oito anos após a sua introdução, a digitalização dos exames de acesso à medicina revelou-se um sucesso. A transição para a tecnologia digital não só reduziu o tempo de correção de várias semanas para apenas alguns minutos, como também melhorou a equidade entre candidatos e facilitou a supervisão das provas.
A Inetum não pretende ficar por aqui. Em 2024, foi implementado um algoritmo de correspondência para atribuir vagas de estágio com base nos resultados e competências dos estudantes.
“Desenvolvemos uma aplicação que otimiza a colocação dos futuros médicos, combinando as suas preferências com as necessidades dos hospitais. Trata-se de um avanço significativo para o sistema de saúde”, sublinhou Frédéric Walczak.
Outras inovações estão na fase de preparação, incluindo uma aplicação para ajudar casais de médicos a obter colocações compatíveis. Porque, se a tecnologia já revolucionou os exames, poderá em breve transformar também a forma como os jovens médicos encaram o seu futuro profissional e pessoal.
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