Data de publicação : 26/10/2026
Prémio Women Shaping Tech distingue quatro projetos para reforçar raparigas nas STEM
A APDC anunciou hoje, no STEM Women Congress Lisboa 2026, os quatro projetos vencedores da segunda edição do Prémio Women Shaping Tech. No total, vão receber um apoio financeiro global de mais de 51 mil euros para ampliar o seu impacto na promoção da igualdade de género nas áreas STEM – Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
As iniciativas distinguidas vão abranger diretamente cerca de 710 crianças e jovens, incluindo pelo menos 400 raparigas, através de atividades de experimentação científica e tecnológica, programas de mentoria, contacto com profissionais e desenvolvimento de soluções para desafios reais. A descentralização é uma prioridade transversal, com particular atenção para as regiões do interior e comunidades onde o acesso a estas oportunidades continua a ser mais limitado.
Os projetos vencedores são: “Cientista Regressa à Escola”, da Associação Native Scientist; Technovation Bootcamps in Company, da Associação EDruptiva; Laboratório Móvel STEM no Feminino, do Agrupamento de Escolas de Vila Flor; e Future STEMERS 2.0 - STEM for Good, da Associação Inspiring Girls Portugal.
Lançado pela APDC em 2025, o Women Shaping Tech distingue-se por apoiar financeiramente iniciativas que já demonstraram resultados e apresentam condições para crescer, em vez de financiar projetos em fase inicial. O objetivo é acelerar o impacto de programas existentes, permitindo-lhes chegar a mais pessoas e territórios e criar oportunidades sustentadas de participação feminina nas áreas científicas e tecnológicas.
"Há muito que se reconhece a necessidade de aumentar a participação das mulheres nas STEM, mas os progressos continuam aquém do necessário. Com o Women Shaping Tech, queremos passar do compromisso à ação, investindo em projetos que já deram provas da sua capacidade de gerar resultados e que precisam de apoio para crescer. É uma forma concreta de acelerar a igualdade de oportunidades e de envolver as empresas nessa transformação", afirma Sandra Fazenda de Almeida, diretora-geral da APDC.
No conjunto, os quatro projetos preveem chegar a 710 crianças e jovens, com uma participação feminina estimada em pelo menos 400 raparigas. Está também previsto o envolvimento de mais de 80 profissionais, cientistas e mentores, embora este indicador esteja ainda sujeito à concretização das atividades.
Mas o impacto esperado vai além do número de participantes, já que as iniciativas procuram intervir em três dimensões fundamentais: despertar vocações desde cedo, reduzir desigualdades territoriais e criar condições para que os resultados se prolonguem no tempo.
O contacto direto com mulheres que trabalham em ciência e tecnologia, a experimentação de ferramentas digitais e a resolução de problemas concretos procuram ajudar as jovens a ultrapassar estereótipos e a considerar percursos académicos e profissionais que, muitas vezes, não identificam como opções para o seu futuro. A aposta na formação de docentes, na permanência de equipamentos nas escolas, na criação de recursos reutilizáveis e na participação das empresas procura assegurar a continuidade e a replicação das iniciativas.
"Queremos que o apoio atribuído não se esgote na execução de cada projeto. O verdadeiro efeito multiplicador está na capacidade de criar recursos, envolver escolas e empresas e deixar condições para que estas iniciativas continuem a crescer. É particularmente importante que estas oportunidades cheguem também às raparigas do interior, onde o contacto com a ciência e a tecnologia e com referências femininas nestas áreas pode ser mais limitado", salienta Sandra Fazenda de Almeida.
Esta segunda edição do Women Shaping Tech conta com a adesão de 11 empresas. A .PT, Accenture, DXC Technology, Google, Inetum, NOS, Celfocus, NTT DATA, MEO, Galp e Medicare associaram-se à APDC para financiar iniciativas com impacto na atração, participação e desenvolvimento de raparigas e mulheres nas áreas STEM.
A execução dos projetos agora selecionados está prevista até o Verão de 2027, permitindo acompanhar os resultados alcançados e avaliar o contributo do financiamento para o crescimento das iniciativas.
Conheça os quatro projetos:
Cientista Regressa à Escola | Associação Native Scientist (10.000 euros)
Levar cientistas às escolas onde estudaram ou às suas terras de origem, para mostrar às crianças que a ciência também pode fazer parte do seu futuro. É esta a proposta do projeto, que aposta na proximidade e na identificação com modelos de referência femininos para combater estereótipos desde cedo.
O apoio permitirá levar oficinas práticas a cerca de 160 crianças do 4.º ano, nos concelhos da Guarda, Mêda, Trancoso e Aguiar da Beira. O programa conta com cerca de 70% de mulheres entre os cientistas envolvidos e apresenta resultados anteriores relevantes: 53% das crianças que inicialmente não acreditavam, ou não sabiam, se poderiam ser cientistas, passaram a considerar essa possibilidade depois da participação nas oficinas.
Technovation Bootcamps in Company | Associação EDruptiva (18.900 euros)
Aproximar as raparigas das empresas tecnológicas e dar-lhes a oportunidade de passar de utilizadoras a criadoras de tecnologia é o objetivo deste projeto. Durante bootcamps de 30 horas, jovens entre os 12 e os 15 anos vão desenvolver aplicações, trabalhar com profissionais do setor e apresentar as suas soluções a um júri da empresa anfitriã.
Estão previstos cinco bootcamps, dois dos quais em regiões do interior, envolvendo até 100 raparigas e mobilizando 25 profissionais em funções de mentoria e avaliação. O programa inclui ainda formação em inteligência artificial responsável, comunicação e liderança, procurando criar um modelo que possa ser replicado e apoiado pelas próprias empresas.
Laboratório Móvel STEM no Feminino | Agrupamento de Escolas de Vila Flor (7.500 euros)
A robótica, programação e tecnologias de realidade virtual e aumentada vão chegar às escolas de Vila Flor através de um laboratório móvel que permitirá às alunas experimentar e desenvolver soluções tecnológicas para problemas ligados à agricultura, ao clima e à mobilidade.
A iniciativa prevê envolver pelo menos 150 raparigas dos 10 aos 18 anos, com mentoria de investigadoras e engenheiras da região. Para além das atividades práticas, inclui formação de docentes e uma mostra de projetos aberta à comunidade. Os equipamentos permanecerão nas escolas, criando condições para dar continuidade às atividades depois de concluído o financiamento.
Future STEMERS 2.0 – STEM for Good | Associação Inspiring Girls Portugal (15.000 euros)
Depois de uma primeira edição apoiada pelo Women Shaping Tech, a Inspiring Girls Portugal regressa com uma nova fase do Future STEMERS. Agora está centrada na utilização da ciência e da tecnologia para responder a desafios concretos das comunidades.
O projeto vai abranger 300 jovens de 15 turmas do 3.º ciclo e ensino secundário, assegurando uma participação mínima de 50% de raparigas. Pelo menos 80% das turmas estarão fora das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. Com o apoio de 30 mulheres cientistas e profissionais da tecnologia, os participantes vão desenvolver propostas de soluções para problemas reais, que serão divulgadas numa galeria digital. A turma vencedora terá ainda a oportunidade de participar numa experiência imersiva numa empresa tecnológica.