Artigo de opinião

O problema já não é querer ser sustentável. É conseguir prová-lo.

Published : 12/10/2026

Sandra Monraia
Sales Sector Director, Inetum


Nunca houve tantas empresas a assumir compromissos de sustentabilidade. Metas, relatórios, indicadores e estratégias ESG fazem hoje parte do vocabulário habitual das organizações. Ainda assim, entre declarar uma ambição e demonstrar o seu impacto continua a existir uma distância considerável. É precisamente nessa distância que se joga uma parte importante da credibilidade empresarial. 

O problema já não é querer ser sustentável. é conseguir prová-lo. Sandra Monraia

Da intenção ao impacto no negócio

Num mercado mais atento ao greenwashing e perante clientes, investidores e cidadãos que exigem maior transparência, já não basta definir objetivos. É necessário demonstrar, com dados e resultados, que as decisões tomadas produzem mudanças concretas.

A tecnologia tornou-se determinante neste processo. Não apenas como suporte à operação, mas como instrumento que permite medir consumos, identificar desperdícios, acompanhar emissões, automatizar processos e avaliar o impacto das decisões. Sem esta capacidade de análise e melhoria contínua, uma estratégia de sustentabilidade corre o risco de permanecer no domínio da intenção.

A questão relevante deixou, por isso, de ser apenas se uma empresa tem uma estratégia de sustentabilidade. Importa perceber se consegue provar que essa estratégia está a funcionar. Isto obriga também a repensar a forma como avaliamos o valor criado pela tecnologia. Durante muito tempo, uma decisão tecnológica era analisada sobretudo em função do retorno para o negócio, através de critérios como eficiência, produtividade ou crescimento. Esses indicadores continuam a ser essenciais, mas já não contam toda a história.

O IMPACTO DE UMA SOLUÇÃO TECNOLÓGICA DEVE TAMBÉM SER OBSERVADO NA FORMA COMO AFETA COLABORADORES, CLIENTES, CIDADÃOS E A SOCIEDADE.

É neste contexto que o conceito Business to Business to Society, ou B2B2S, ganha relevância. A tecnologia pode criar valor para a empresa e, simultaneamente, produzir efeitos que ultrapassam as fronteiras da organização.

De objetivos a resultados: o papel da tecnologia

Na indústria, sensores, IoT e sistemas de monitorização em tempo real permitem conhecer melhor o funcionamento das operações, reduzir desperdícios e antecipar ineficiências. Na saúde, registos clínicos eletrónicos, telemedicina e ferramentas de análise de dados podem contribuir para processos mais eficientes e melhor acesso à informação. Nos serviços públicos, a digitalização pode simplificar procedimentos, aumentar a transparência e melhorar a relação entre cidadãos e instituições.

São exemplos diferentes, mas partilham o mesmo princípio. A tecnologia só contribui verdadeiramente para a sustentabilidade quando transforma objetivos em resultados observáveis. Por essa razão, a capacidade de medir e validar resultados assume uma importância crescente. Definir metas é apenas uma parte do processo. As organizações precisam de acompanhar a sua execução, avaliar o impacto das medidas adotadas e demonstrar, com indicadores consistentes, a evolução alcançada.

Esta exigência deverá acentuar-se à medida que sustentabilidade, eficiência e competitividade se tornam dimensões cada vez mais interdependentes. Reduzir desperdícios e otimizar o consumo de energia pode contribuir para um maior controlo de custos, enquanto processos mais transparentes reforçam a confiança e serviços digitais mais simples podem melhorar a experiência de clientes e cidadãos.

Desafios para a liderança: demosntrar resultados

Para os líderes empresariais, isto implica uma mudança importante. O desafio não está em acrescentar tecnologia a uma estratégia de sustentabilidade já definida, mas em pensar ambas de forma integrada e estabelecer mecanismos que permitam medir o impacto produzido.

Uma meta que não pode ser acompanhada dificilmente pode ser gerida. E um compromisso que não consegue demonstrar resultados será cada vez mais difícil de distinguir de uma promessa.

A tecnologia não torna uma empresa sustentável por si só. Mas, sem capacidade para medir, analisar e transformar operações, será muito mais difícil passar da intenção ao impacto. E é precisamente nessa passagem que se decidirá uma parte crescente da competitividade das empresas.

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