Publicado : 28/07/2026
AI Business Solutions
Governação de IA com ServiceNow: da atividade aos resultados num ecossistema controlado
Marin Marinov
SVP ServiceNow Global Practice - Inetum
Em sectores fortemente regulados, a pressão sobre as organizações deixou de ser apenas tecnológica. Hoje, conselhos de administração, responsáveis de risco e equipas de IT partilham uma preocupação concreta: como assegurar a continuidade das operações, cumprir requisitos regulatórios cada vez mais exigentes e manter eficiência em ambientes tecnológicos complexos. O problema raramente está na ausência de ferramentas; surge, sim, quando não existe um modelo que ligue a governação a resultados reais em termos de resiliência operacional.
Da governação teórica à resiliência operacional integrada
Nos últimos anos, temos observado uma evolução clara para o conceito de governação por desenho. Não se trata apenas de definir políticas, controlos ou frameworks de compliance, mas de os incorporar na operação diária, de forma mensurável e alinhada com indicadores críticos como SLA, disponibilidade dos sistemas e continuidade do serviço.
Neste contexto, o ServiceNow afirma-se como uma plataforma capaz de transformar a governação em processos executáveis, monitorizáveis e directamente ligados aos objectivos do negócio. Em muitas organizações, a realidade ainda é marcada por sistemas fragmentados, processos manuais e visibilidade limitada sobre riscos críticos. Esta combinação aumenta custos, reduz eficiência e fragiliza a capacidade de resposta a incidentes, com impacto directo na experiência do cliente e na reputação corporativa.
A resiliência, nestes contextos, não pode ser tratada como uma camada adicional. Tem de estar integrada desde o desenho dos processos.
Uma gestão unificada de segurança, risco e continuidade do negócio
A resiliência operacional exige a eliminação de silos tradicionais entre segurança, gestão de risco e continuidade de negócio. Uma abordagem suportada por ServiceNow permite consolidar estas dimensões num único ambiente, ligando áreas que historicamente operaram de forma isolada.
O valor desta integração é claro: visão global do risco, maior capacidade de antecipação de incidentes e automatização de respostas, reduzindo significativamente os tempos de deteção e resolução. A governação deixa de ser um exercício conceptual e passa a traduzir-se em acções concretas com impacto directo na operação.
Um exemplo ilustrativo é o da Paysafe, fornecedor global de soluções de pagamento, que precisava de actualizar o seu ambiente ServiceNow sem comprometer a continuidade do serviço. Num negócio onde qualquer interrupção tem consequências imediatas, o desafio passava por executar uma transição complexa mantendo os sistemas disponíveis e sem impacto para os utilizadores.
A combinação de planeamento rigoroso, automatização e comunicação contínua com os diferentes stakeholders permitiu concluir a actualização sem incidentes críticos, dentro dos prazos e com maior preparação para transformações futuras.
Como a governação se reflecte nos SLA e na estabilidade operacional
Resultados como estes não são casuais. São consequência de um modelo onde a governação está integrada na execução. A definição clara de SLA, a automatização de testes e deployments e a monitorização contínua reduzem a incerteza e protegem a estabilidade do sistema durante a mudança.
A resiliência deixa assim de ser reactiva e passa a ser estrutural. O objectivo de zero interrupções é incorporado como critério de desenho, não como plano de contingência.
Outro caso relevante envolve uma multinacional do sector do controlo de qualidade, com mais de 90.000 colaboradores e mais de 100 ferramentas ITSM herdadas. Esta fragmentação dificultava a gestão do Service Desk, aumentava custos e limitava o controlo dos processos. A consolidação numa única plataforma ServiceNow permitiu estandardizar operações, automatizar tarefas críticas e integrar sistemas como o Active Directory. Para além da eficiência e da redução de custos, o principal ganho foi a criação de um modelo de suporte coerente, preparado para evoluir sem colocar em risco a continuidade do serviço.
Automatização da mudança como alavanca para reduzir o risco operacional
Num contexto de actualizações frequentes e elevada dependência tecnológica, a gestão controlada da mudança torna-se um pilar central da resiliência. Um erro aparentemente menor pode desencadear interrupções críticas.
A experiência de uma organização do sector da saúde no Reino Unido é particularmente esclarecedora. Milhares de profissionais dependem diariamente dos sistemas para prestar cuidados, o que tornava essencial melhorar a planificação e execução dos projectos. A adopção de capacidades de Strategic Portfolio Management no ServiceNow, aliada a um framework de testes automatizados, permitiu optimizar as actualizações e reduzir em 80% o esforço associado a testes manuais. O impacto foi duplo: maior eficiência e reforço claro da estabilidade operacional.
Da eficiência operacional à confiança da gestão de topo
Os exemplos analisados partilham um denominador comum: a tradução da governação em resultados operacionais concretos. Integração de processos, automatização e visibilidade em tempo real permitem passar de uma abordagem reactiva para um modelo proactivo, onde os riscos são tratados antes de se materializarem.
Para conselhos de administração e responsáveis de risco, isto significa acesso a informação fiável e actualizada sobre o estado da operação, bem como mecanismos sólidos para garantir compliance e continuidade de negócio. Métricas como tempo de indisponibilidade, cumprimento de SLA ou exposição ao risco deixam de ser estimativas e passam a ser indicadores geridos activamente.
O ServiceNow funciona aqui como elemento estruturante, ligando governação e execução num único ecossistema que integra segurança, risco e operações. O resultado vai além da eficiência: traduz-se em maior confiança na capacidade da organização para operar de forma segura e sustentável.
Como construir uma resiliência operacional sustentável
A resiliência operacional não é um projecto com início e fim definidos. É uma capacidade que se constrói e mantém ao longo do tempo, com processos claros, ferramentas adequadas e alinhamento contínuo entre negócio e tecnologia.
As organizações que incorporam a governação na operação diária estão mais bem preparadas para enfrentar um ambiente marcado pela incerteza e pela pressão regulatória. O passo seguinte passa por avaliar o nível de maturidade em gestão de risco e continuidade, identificar lacunas e definir um modelo de governação por desenho. Isto implica tecnologia, mas também revisão de processos e responsabilidades.
Num contexto em que a interrupção deixou de ser uma excepção, a resiliência operacional torna-se um critério de desenho. Integrar governação na execução diária é o que permite operar com controlo hoje e adaptar com confiança amanhã.
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